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Silence

Terça-feira, 14.01.14

Estar calada não é propriamente o que se espera duma blogger. É um risco, até. Muita gente me explicou que, se quisesse que as pessoas procurassem o meu blog, teria de ser consistente nas publicações, nunca deixar passar mais do que uma semana entre cada post. Já se passaram 3...provavelmente 3 das piores semanas da minha vida.

A razão porque não escrevi, foi porque não queria falar de coisas negativas ou pesadas - a premissa do blog era ajudar-vos nos dias maus, certo? Como é que eu iria escrever sobre coisas positivas, se me era tão difícil lembrar de algumas que merecessem ser relatadas? Por isso, fiquei calada. Mas há um tempo para tudo na vida, e agora chegou a hora de falar.

 

Perder alguém que amamos é sempre duro. No ano passado, a Diamantina Rodrigues convidou-me para escrever um pequeno texto para um livro de testemunhos, chamado Mãe Há Só Uma, sobre a minha mãe. Para quem não sabe, já não tenho mãe há 24 anos, e portanto foi difícil - mas a distância que me separa dela é já tão grande que me permite ter o pensamento bem organizado quanto a quem ela era, e o que representou para mim ser sua filha durante quase 21 anos. Mas este post não é sobre a minha mãe.

 

Não sei porquê, mas acho que não devo esperar 24 anos para falar publicamente sobre o meu pai. Se calhar porque não falei o suficiente enquanto ele ainda cá estava. O problema não foi só algum pudor que me impediu de falar, é que a pessoa que ele era também não iria gostar de ser exposta. Lembro-me que quando me casei saíu uma foto dele ao meu lado, e ele ficou muito perplexo quando uma senhora numa loja o abordou a dar os parabéns...não, o meu pai não gostava desse tipo de atenção. Mas como ele já cá não está, e portanto nada do que eu diga ou faça o pode já embaraçar, penso que devo partilhar convosco que no dia 29 de Dezembro de 2013 perdi um dos pilares da minha vida. E tenho muitas saudades do meu pai.

Há coisas das quais não tenho a menor dúvida, e uma delas é: fui muito abençoada em ter um pai como ele. Até quase ao último sôpro de vida, manteve uma família de 5 filhos debaixo de um mesmo espírito, debaixo de uma liderança que sendo firme, era também reconfortante. Quando ficámos sem mãe, foi ele quem saíu da sua zona de conforto - de uma presença um pouco distante mas fidedigna - para se tornar num homem diferente do que tínhamos conhecido até então. Com o devido respeito - burro velho não aprende línguas? O meu pai aprendeu-as todas. Apesar de eu ainda só ter 44 anos, acho que posso dizer que já passei algumas tormentas e o meu pai esteve presente em quase todas elas. Não, não fez parar a tempestade (só Deus o pode fazer), mas deu-me sempre o abrigo de que necessitei para aguentar o embate. Era um homem, literalmente, fora-de-série.

O mundo está mais triste sem ele, ou então sou só eu. Mas se é para seguir o espírito deste blog, e para honrar a memória do meu pai, então tenho de terminar com vida. Especificamente, com um período muito feliz da vida do meu pai - um tempo em que ele era jovem, em que via perfeitamente, andava pelo próprio pé, em que não tinha uma única preocupação no mundo que não fôsse onde ia montar a tenda no dia seguinte...

 

Pai, à sua!

 

To be quiet is not exactly what you'd expect a blogger to do. It's a risk, even. Many people told me that if I wanted others to read my blog I'd have to be consistent in my posts, to never let more than a week go by between each one. It's been 3...probably 3 of the worst weeks of my life.

The reason why I was silent is because I didn't want to talk about things that were too heavy or negative - the whole premisse of this blog was to help you guys through those hard patches in life, right? How could I write about positive and uplifting things when it was so hard for me to remember anything that was worth the thought? So, I kept quiet. But there is a time for everything in life, and now is the time to speak up.

 

To lose someone you love is always tough. Last year, a portuguese journalist invited me to write a small testimony for a book about mothers. In case you don't know, my mother died 24 years ago and so it was a hard exercise for me - but the distance between us now allows me to have a more organized thinking about who she really was, and what it meant to be her daughter for almost 21 years. But this post is not about my mother.

 

I don't think I should wait another 24 years to speak publicaly about my Dad. Maybe because I didn't speak enough about him while he was still here. It wasn't just a certain sense of privacy that prevented me from talking about him, it's just that he was not the kind of guy that would like to be discussed in public. I remember that, when I got married, this photo of him standing up next to me was in a magazine, and so this lady came up to him in a store to congratulate him...no, my Dad did not like this kind of attention. But he's not here anymore, so nothing that I say or do can ever embarass him again, so I think I should tell you that on the 29th of December I lost one of the pilars of my life. And I miss my Dad so much.

Some things I don't question at all, and one of them is: I was blessed to have a father like my Dad. Up until the very last breath of his life, he kept a family of five children together under the same spirit, under a leadership that was both firm and conforting. When we lost my mother, he was the one to come out of his confort zone - a distant, but reliable, presence - to become a diferent man from the one we had known up until then. With all due respect - you can't teach an old dog new tricks? My Dad learned them all, and then some. Even though I'm still green in my 44 years, I have gone through some hard times in life, and my Dad was there almost always. No, he didn't stop the waves from crashing in on me (only God can), but he was there to help come back up every time. He was truly one of a kind.

The world is a sadder place without him, or maybe it's just me. But if I am to honour the spirit of this blog and my Dad's memory too, then I should finish with life. Life at its happiest and fullest: when my dad was young, and he could see, hear and walk perfectly, when he was his own man and all he had to care about in this world was where was he going to pitch his tent today...

 

Here's to you, Dad!

 

 

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